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Resenhas de Babel: Cultura, Literatura, Filosofia e outros assuntos chatos

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 (Este texto é o esboço inicial de um projeto de pesquisa sobre o tema, se desejar ser informado sobre novas versões deste documento me escreva) 

Venerável Mundo Novo

 

A visão da Modernidade no discurso de Khomeini

Anteprojeto de pesquisa

 

 

 

Resumo: o presente anteprojeto pretende delinear uma pesquisa sobre a forma como a temática da modernidade é vista no discurso de Khomeini ao longo de sua trajetória pública. A hipótese central traçada é que ao mesmo tempo que ele rejeita a identidade entre modernidade e ocidentalização tenta construir um releitura da modernidade compatível com o Islam.

 

"Sem a modernidade não haveria fundamentalistas, bem como não haveria modernistas" (Bruce Lawrence, Defenders of God: The Fundamentalist Revolt Against the Modern Age)

"Todo dia é Ashura, Todo lugar é Karbala" (Palavra de ordem da Revolução iraniana, criada por Ali Shari'ati)

"Oferecem-se apenas duas alternativas ao selvagem: uma vida insana na Utopia, ou a vida de primitivo numa aldeia de índios, mais humana em certos aspectos, mas em outros, pouco menos excêntrica e anormal" (Aldous Huxley, prefácio a reedição de Admirável Mundo Novo)

Apresentação: Justificativa e objetivos *

 

Enquadramento do problema *

 

Metodologia *

 

Análise dos resultados e conclusões esperadas *

 

Cronograma *

 

Bibliografia *

 

Bibliografia *

Textos de caráter Metodológico Geral: *

Textos de caráter teórico sobre Análise do Discurso *

Textos relacionados a fundamentos teóricos da Sociologia da Religião *

Outros textos relacionados à Religião: *

Outros textos relacionados ao Islam e Fundamentalismo: *

Textos sobre o Irã: *

Fontes *

 

 

Apresentação: Justificativa e objetivos

A Revolução Iraniana que há pouco completou 20 anos trouxe a expressão "fundamentalismo" ao noticiário diário e deu uma nova dimensão aos movimentos de "Restauração Divina" que até então eram vistos mais ou menos como uma curiosidade marginal. No prefácio do seu Defenders of God: The Fundamentalist Revolt Against the Modern Age - talvez o mais importante e coerente texto sobre o tema, Bruce Lawrence, professor de História das Religiões da Duke University, diz que "Eu nunca pensaria em escrever este livro sem o choque da Revolução Iraniana de 79".

As recentes eleições no Irã - primeiro a presidencial depois a parlamentar - demonstraram a complexidade daquela Revolução nem sempre compreendida pela grande mídia - e consequentemente pelo senso-comum. Nesta visão maniqueísta de que só existem duas forças em combate uma das quais deve obrigatoriamente defender a modernização - entendida quase sempre como ocidentalização - e outra se opor a esta modernização simplifica-se o problema de forma extrema e confundem-se conceitos muito distintos.

Em recente artigo no Le Monde Diplomatique, Eric Rouleau, demonstrou que a disputa de "conservadores" e "progressistas" no Irã não se dá em termos de Islam x Ocidentalização ou nem mesmo de Estado Secular x Religioso, mas entre diferentes correntes políticas que pleiteiam, ambas, raízes nos primórdios da Revolução Iraniana. A necessidade de se caracterizar a Revolução Islâmica do Irã como um protótipo da Revolução Iraniana fez com que se perdesse de vista o fato dela ter sido um movimento que em determinado momento uniu as mais diversas correntes de opinião do país, da esquerda aos setores mais conservadores.

Provavelmente um dos principais biógrafos de Khomeini no Ocidente, Mathew Gordon, avalia que os caminhos tomados pela Revolução sofreram forte influência da liderança carismática, mas também influenciaram sobre a tomada de decisão de Khomeini que, a princípio, parecia simpatizar com algumas facções mais "progressistas" na disputa pelo poder que se seguiu à Revolução.

Mas a incapacidade de compreensão da dinâmica das forças políticas no Irã leva a mídia a uma visão absolutamente distorcida, e às vezes estapafúrdia, dos eventos recentes como a de recente editorial do Jornal o Estado de São Paulo - de 22/2/2000- intitulado : "Um voto contra a treva" no qual avalia que o voto anti-"conservador" no Irã foi uma reabilitação do Xá e uma condenação do clero xiíta. Se há alguma unanimidade no Irã, ela certamente é a condenação ao Xá, não compartilhada apenas por escassos segmentos de classe média alta e alta - a maior parte fora do país - que tinham fortes vínculos com o Xá.

A perspectiva de um mundo no qual diversas civilizações competirão entre si e em especial contra a Civilização Ocidental, cenário esboçado por Huntington em O Choque de Civilizações e a Recomposição da Ordem Mundial eleva a importância dos acontecimentos no Irã a uma dimensão ainda maior na medida em pode ajudar a definir os termos e condições nos quais estes conflitos se darão. De certa forma o Irã sempre foi o protótipo da Revolução Fundamentalista, portanto sujeito a uma política de contenção semelhante à aplicada à URSS e China nos anos da Guerra Fria justificada por uma mesma "Teoria do Dominó" segundo a qual a queda do Irã deveria provocar a queda de dezenas de outros nações muçulmanas na região.

Estas hipóteses jamais se confirmaram e - com exceção de alguma influência no Líbano e em regiões de conflito para a qual ocorreram voluntários iranianos como Bósnia e Kossovo - a Revolução Iraniana amais teve grande impacto sobre as Nações muçulmanas. As diversas explicações para isto ainda que toquem em pontos reais não tem sido suficientemente convincentes. De uma forma esta pesquisa tentará mostrar que o movimento Iraniano é por demais aberrante para ser classificado como "Fundamentalista" porque não compartilha da mesma identidade ideológica ou social de qualquer outro grupo "fundamentalista" islâmico ou não.

Esta distinção se deve em grande parte ao fato do Irã ser xiíta, ainda que elementos exclusivos da sociedade iraniana também não possam ser ignorados. É também uma hipótese de trabalho que o relacionamento do Irã com a modernidade é vinculado fortemente à noção xiíta de "reconstruir" segundo padrões islâmicos o pensamento vindo de outras culturas. Neste sentido é preciso observar que historicamente o Islam Xiíta tem sido mais propenso a aceitar influências externas que a ortodoxia sunita, a ponto da filosofia xiíta ter incorporado sem maiores traumas o neo-platonismo e o misticismo enquanto a ortodoxia fechou as portas a estas duas influências desde os seus primórdios.

Mas a hipótese principal deste trabalho é que a visão da Revolução, e em especial a visão de seu líder máximo, não era de contestação da modernidade ou de volta a um passado idílico, mas de construir uma Utopia futurista na qual as conquistas científicas e tecnológicas estariam sujeitas e ao serviço de uma visão islâmica do mundo. O tema da modernidade é bastante frequente nos discursos tanto de Khomeini como de outros ideólogos da revolução iraniana como Mutahari e Shariati - este último talvez o mais importante líder laico da Revolução Iraniana. Em parte esta presença do tema é um esforço para responder à publicidade oficial do regime do Xá, que tentava assimilar qualquer oposição a ele a uma postura reacionária como o progresso.

A utilização do termo reacionário, por sinal, parecia irritar bastante a Khomeini que periodicamente tenta desvincular-se desta pecha e atribui a penetração desta imagem de "conservador" ao dinheiro gasto pelo Xá com a compra de jornalistas ocidentais. Em diversos de seus discursos ele esforça-se por responder a esta questão rejeitando o epíteto de reacionário e até solicitando ao Xá que se ele não deseja implantar uma legislação islâmica que ao menos siga a Constituição Revolucionário de 1905.

É por sinal na Revolução constitucionalista de 1905 que se deve buscar algumas das mais profundas raízes do movimento de 79. Ela é o grande modelo da frente que tomou o poder em 79 e é com base nela que Khomeini evoca o exemplo de um clero "progressista" e politicamente ativo. É em grande parte a este movimento do início do século que se deve o fato do Irã ser um dos poucos países do mundo islâmico a ter uma ordem constitucional relativamente estável e eleições periódicas, fato que inusitadamente passa despercebido pela mídia ocidental.

John Sposito esforçou-se para demonstrar que a Ameaça Muçulmana era um invenção destinada, entre outras coisas, a justificar a manutenção de elevados gastos militares. Mas há no conflito entre Irã e Ocidente talvez algo mais, há a necessidade de se criar uma imagem ideológica do Outro capaz de associar qualquer esforço de resistência à Ocidentalização - idealizada como Modernização ou modernidade universais - como um movimento reacionário.

Assim está diretamente relaciona às hipóteses mais centrais do projeto a existência de um viés sistemático na mídia ocidental cujos objetivos são demonizar quaisquer reações à globalização econômica e ocidentalização cultural e reforçar os valores ideológicos, políticos e sociais através do contraste com este Outro estereotipado e demonizado.

Em termos específicos da Revolução Iraniana, o projeto se propõe também a verificar os aspectos particulares deste processo que se devem a elementos específicos da sociedade iraniana e do Islam Xiíta, parcialmente responsáveis pelo caráter notadamente aberrante - como se tentará mostrar ao longo da pesquisa - do caso iraniano em relação a outros movimentos ditos "fundamentalistas". Na medida do possível se tentará esclarecer também a importância ainda pouco esclarecida de alguns pontos, em especial do fato do Islam xiíta ser uma religião milenarista - em seu sentido amplo e não estrito já que Não prevê um período de mil anos de felicidade - e messiânica, ponto sobre o qual a bibliografia é contraditória.

 

 

Enquadramento do problema

Embora hoje extremamente associado ao Islam, a expressão fundamentalismo surgiu para designar o revivalismo protestante norte-americano da virada do século passado para este. O seu uso fora deste contexto é bastante questionado até porque, a rigor, os grupos a que se refere quando se fala do Islam não tem uma preocupação literalista na interpretação do Alcorão. Além disso, como destaca um dos mais eminentes filósofos muçulmanos contemporâneos, Seyyd Hossein Nasr no seu Traditional Islam and the Modern World, o termo tem sido usado com tal amplitude, para designar tantos grupos tão distintos entre si - alguns dos quais sem qual orientação extremamente exóterica que justifique o uso - que o termo perdeu a sua utilidade como categoria científica.

 

Lawrence justifica não só o uso de do rótulo "fundamentalista", bem como o caráter paralelo deste movimento tanto no Protestantismo, como no Judaísmo e no Islam e, embora limite sua análise a estas três crenças, avalia que existe similar em qualquer outra fé - mencionando explicitamente o Hinduísmo, o Budismo e o Sikhismo. Para ele, mesmo que o rótulo não seja absolutamente adequado, ele permite, enquanto categoria, que se faça um estudo comparativo analisando semelhanças e diferenças até que chegue ao cerne do problema, portanto o nome que se dá ao fenômeno, em si, não é importante. Admitidas estas restrições de cunho instrumental, parece ser admissível utilizar o termo.

Considerar a todos como diferentes manifestações de um mesmo processo, avalia Lawrence, permite que se investigue as semelhanças e diferenças e, em especial, que se trate do problema em relação ao contexto contemporâneo da modernidade, sem o qual, avalia ele, a análise não faz sentido. A conclusão semelhante chegam Martin Marty e Scott Appleby no seu The Glory and The Power: The Fundamentalist Challenge to the Modern World que tenta traçar um paralelo entre o fundamentalismo protestante, judaico e muçulmano.

Eles contudo atêm-se a uma interpretação tradicional do fenômeno fundamentalista, entendendo-o como uma teodicéia destinada a explicar a perda de poder e prestígio das camadas tradicionais da sociedade e a dissolução de seus sistemas valorativos e cognitivos, mobilizando estes segmentos a partir de uma volta aos sistemas tradicionais, o que implica numa rejeição da modernidade, ou da Modernidade Tardia como prefere Giddens. Não é esta visão profundamente influenciada pela sociologia tradicional que irá dar uma interpretação satisfatória do problema, na avaliação de Lawrence.

Neste ponto ele concorda com Nasr e destaca o caráter essencialmente não-tradicional do fundamentalista. Por mais que ele fale da tradição e evoque não sem saudades um passado glorioso - geralmente imaginário - o fundamentalismo seria, para ele, sobretudo uma tentativa de reconstruir a modernidade a partir de um conjunto de valores e sentidos orientados pela Restauração Divina. Também é a análise que faz Samuel Huntington no seu quase clássico O Choque de Civilizações e a Recomposição da Ordem Mundial quando diz, referindo-se ao chamado fundamentalismo islâmico, que depois de décadas de "Kemalização" na qual se pretendeu modernizar o Islam, aparece a tendência contrária de "islamizar a modernidade", experiência que por sinal encontra um profundo paralelo no "período clássico" da Civilização Muçulmana no qual o conhecimento da Antiguidade foi reconstruído a partir de uma Weltanschauung islâmica.

Um dos grandes méritos de Lawrence é quebrar a noção do senso-comum sobre o fundamentalismo, segundo ele fruto de uma intricada aliança entre a Academia e a Imprensa sensacionalista (literalmente the Ivory Tower e The Yellow Press). O objetivo dos fundamentalistas não é uma volta ao passado, ainda que um passado fictício, nem a negação das "comodidades" modernas, mas a submissão desta modernidade a um conjunto de valores e sentidos orientados para a Restauração Divina. Assim ele acrescenta à "ameaça fundamentalista" - desprovida de seu caráter fantasioso - a ameaça da plausibilidade.

Citando diversos autores especialmente Keppel, Huntington desmistifica outro ponto: os fundamentalistas não são os miseráveis analfabetos das aldeias ou da periferia das grandes cidades, fanatizados por religiosos reacionários. São em geral pessoas de classe média - ou mesmo da elite - quase sempre com instrução superior ou pelo menos técnica, fruto das segundas gerações educadas segundo o modelo ocidental. Como destaca Huntington, entre os muçulmanos os jovens são religiosos e seus pais seculares, fenômeno que aprece se repetir em outros fundamentalismos. A própria Revolução Iraniana - tomada de forma equivocada, como se pretende demonstrar, como protótipo da "ameaça fundamentalista" - foi em grande parte uma revolução conduzida por jovens.

A fusão de tantas concepções diferentes em um mesmo conceito traz paradoxos e inconsistências que podem acabar levando a busca de uma abstração tal que explique o conjunto do fenômeno fundamentalista uma aventura sem chances de sucesso. Torna-se necessário, então, algum tipo de definição que norteie a classificação do que seria "Fundamentalismo" que seja capaz de demonstrar uma unidade do fenômeno sem abstrair as diferenças significativas.

A definição de Lawrence atende, em parte, a esta questão: "Fundamentalismo é a afirmação da autoridade religiosa como holística e absoluta, não admitindo crítica ou limitação; é expressado através da demanda coletiva que aquelas ordenações doutrinárias e éticas derivadas das Escrituras Sagradas deve ser publicamente reconhecida e legalmente reforçada". O centro da definição dele, portanto, reside na questão das Escrituras como elemento legitimador da autoridade, aspecto que em si não é suficiente para enquadrar o conjunto dos fenômenos que ele define como "Fundamentalismos"", até porque as diversas fés tratam de forma diferente o papel das escrituras. A substituição da Escritura pela Revelação, portanto a legitimação baseada numa transcendência - tão cara a Garaudy, por exemplo, parece tornar um pouco mais adequada a definição de Lawrence.

Curiosamente falta na definição dele justamente o que é sua principal contribuição ao tema: a caracterização que o "Fundamentalismo" é um fenômeno da modernidade. A distinção essencial que ele faz entre o Revivalismo e o "Fundamentalismos", analisada em artigo anterior, dissolve-se em meio à definição dada por ele. Ainda que sua recusa em tentar enquadrar seu trabalho em uma avaliação humanista ao invés de sociológica - responsável por uma visão menos esquemática e mais rica do fenômeno - ela em outros pontos limita a amplitude da sua avaliação por recusar-se a incorporar alguns conceitos relativamente solidificados da Sociologia da Religião.

O que dá uma certa unidade ao fenômeno Fundamentalista parece ser não a questão das Escrituras e de sua interpretação pretensamente literalista - em especial no Islam, como já foi comentado, esta definição exclui a maior parte dos grupos - é o desejo de sacralizar, ou ressacralizar, o mundo, em especial o mundo moderno. A Utopia Fundamentalista é a construção de um Sacred New World no qual aos benefícios e comodidades materiais e intelectuais da modernidade se some a solidez comunitária e altos padrões éticos e morais determinados pela Revelação.

Entendido desta forma, o "Fundamentalismo" é uma tentativa de reconstrução do moderno à luz do sagrado, não como uma aceitação dos meios modernos instrumentais - como a TV, os meios de transporte e o aparato bélico citados tanto por Lawrence como por Aplleby e Marty - mas da própria modernidade em si. O tema é recorrente nas mais diversas elaborações do pensamento islâmico contemporâneo, seja no radical ideólogo dos Irmãos Muçulmanos, Sayyid Qutb - para quem a tarefa do Islam é reconciliar religião e ciência separadas por uma "esquizofrenia ocidental" e retomar o desenvolvimento para os quais os valores ocidentais já não são mais válidos - ou para o mártir da revolução iraniana, Murtada Mutahari - para quem o Islam é capaz de contrabalançar o que deve permanecer e o que deve ser mudado, até porque "não se imiscui no padrão e forma de vida exterior, que é totalmente dependente do grau de conhecimentos humanos" porque a essência d’" instruções islâmicas dizem respeito ao espírito, ao significado e finalidade da vida, e ao melhor caminho que um homem deve seguir para atingir a meta final".

Esta ênfase em trazer o sagrado de volta à modernidade, e reconstruir esta a partir dos valores transcendentes, traça uma distinção essencial do que se chama de "Fundamentalismo" islâmico dos outros "Fundamentalismos". O primeiro paradoxo que surge nesta questão é que o Islam é ao mesmo tempo a maior ameaça à hegemonia ocidental e a que mais se esforça para incorporar, ainda que de forma reconstruída, o legado iluminista, científico e tecnológico; enquanto o "Fundamentalismo" protestante, que traça sua genealogia diretamente da própria essência de valores da sociedade moderna e nela está intrinsecamente ligada, é a que mais rejeita a modernidade.

No senso comum, em especial devido à Yellow Press, existe uma confusão de dois momentos distintos deste processo de luta pela Restauração Divina que resultou no Fundamentalismo. Lawrence destaca as diferenças essenciais entre os revivalismo religioso que periodicamente assalta o mundo e o Fundamentalismo, ideologia que tenta sacralizar a modernidade.

Ainda que a distinção seja polêmica e as fronteiras sejam pouco definidas, a distinção aprece ser útil. Aos primeiros podem-se aplicar as explicações básicas da Sociologia da Religião e seus métodos e interpretações clássicas, analisando-os como uma tentativa de reconstruir o Sistema Cognitivo e Simbólico destruído pela rápida evolução da modernidade, de, enfim, encontrar certezas num mundo que privilegia a dúvida e a constante metamorfose, aportar em um porto seguro enquanto a tempestade da anomia não cessa. É, sobretudo, uma atitude defensiva.

O Fundamentalismo, ao contrário, retoma a ofensiva ao tentar reconstruir - não negar - a modernidade. Neste ponto a diferenciação do chamado Fundamentalismo Islâmico em relação a outros Fundamentalismos, cristão, judeu, marxista ou cientificista, parece se destacar e a impropriedade do termo ganha tanto um destaque como um sentido inusitado. Por detrás do conceito de Fundamentalismo está implícito uma noção de regresso aos Fundamentos da Fé, portanto de rejeição do que não está nas Sagradas Escrituras, o próprio Lawrence que defende ardorosamente a utilidade do termo bem como sua aplicabilidade a qualquer fé, nega que este sentido vulgar do termo seja o sentido real.

Destaca ele quatro condições essenciais para a caracterização do Fundamentalismo: um reforço recíproco entre crença e práticas rituais, uma tradição articulada que deriva sua legitimidade da autoridade de textos religiosos, um líder carismático que lidere a formação institucional durante este processo - por vezes contestando a estrutura vigente - e por fim uma ideologia ligando o líder carismático aos grupos dispersos. Nesta última condição está, como destaca Lawrence, implícita a aceitação pelos seguidores não só da autoridade do líder e das tradições, mas a interpretação particular que ele faz delas, e portanto de uma construção ideológica.

Lawrence percebe que por mais que se tente extrair autoridade das escrituras, não se trata de um simples processo de leitura, mas sim de releitura. O termo Fundamentalismo torna-se então um tanto incomodo porque se descobre que não há literalismo explícito, há, sempre, uma interpretação intermediária. O que é fundamental, portanto, não é a adesão literalista, mas a busca de legitimidade a partir de uma interpretação exclusiva.

Ainda com todas estas advertências e limitações assinaladas por Lawrence para o literalismo, é preciso notar que o alicerce da República Islâmica e do pensamento político de Khomeini é uma criação nova, a doutrina do Velaiat-al-fiqh, formulada por ele no final dos anos sessenta. O discurso dominante na mídia e mesmo na Academia ocidental dá pouca importância ao fato de que foi esta elaboração teórica de Khomeini que permitiu uma mescla de elementos ocidentais e modernos - como a instituição de partidos, parlamento e de um Estado com um certo grau de democracia - reconstruídos a partir de uma releitura islâmica da visão ocidental de Estado.

Uma das hipóteses que se tentará demonstrar ao longo da pesquisa é que esta mescla foi essencial para garantir a ampla aliança política e social que foi responsável pela vitória da revolução iraniana. Foi esta interpretação particular de Khomeini, espera-se demonstrar, que colocou do mesmo lado os setores religiosos e laicos da sociedade iraniana. Apesar disto a doutrina do predomínio do jurista sempre esteve longe de ser uma unanimidade na sociedade iraniana e é sobre ela que se concentra os conflitos atuais no Irã.

Outro ponto que Lawrence questiona pouco, é que se a existência de uma liderança carismática é essencial no período formativo, a institucionalização e racionalização durante as gerações seguintes é que dará, ou não, o caráter de permanência do grupo. A Revolução Iraniana sobrevive 10 anos, metade de sua existência, à morte de Khomeini sem que tenha produzido outro líder carismático com o mesmo peso, autoridade e principalmente carisma, como demonstram os acontecimentos recentes no Irã, tão pouco compreendidos pela mídia ocidental. Em outro momento se tentará mostrar como as condições específicas do Irã foram determinantes para esta persistência, bem como para uma certa racionalização e institucionalização da Revolução Iraniana, condições estas tão específicas que refutam em grande estilo a tese comum do Ocidente da ascensão de Khomeini em 79 como arquétipo das revoluções fundamentalistas.

A hipótese da liderança carismática como ponto essencial do Fundamentalismo, embora consistente no caso do Fundamentalismo Protestante e Judaico, não parece ser apropriada ao Fundamentalismo Islâmico. Uma avaliação preliminar dos textos dos teóricos do movimento como Said Qutb - ideólogo dos Irmãos Muçulmanos do Egito - demonstra, pelo contrário, uma preocupação em articular uma argumentação racional quase sempre utilizando categorias do Pensamento Ocidental onde se percebe, por sinal, um evidente esforço de adaptação do pensamento marxista. O próprio Lawrence observa que o termo ideologia ganha um sentido positivo e não pejorativo na terminologia do pensamento fundamentalista islâmico.

Uma interpretação particular das relações entre o fundamentalismo islâmico e a Modernidade é defendida por Eric Hobsbawn em Era dos Extremos. Segundo ele há uma afinidade entre a forma como os fundamentalistas em geral, e os iranianos em particular, vêem o progresso e a visão do pensamento nazista, ou seja, o progresso é enaltecido por um lado, mas nunca deixa de ser visto como uma ameaça ao modo de vida "puro". Ao longo da pesquisa se tentará demonstrar que esta visão, embora instigante, não encontra apoio nos fatos.

Há, por fim, uma outra possibilidade de investigação deste relacionamento dos Fundamentalistas com a Modernidade que encontra raízes profundas no pensamento ideológico: o conflito entre comunidade e sociedade. Embora exista evidente semelhanças entre as duas situações, se tentará demonstrar que não se trata do esforço de uma comunidade para reagir à penetração pela sociedade global, mas de um conflito entre duas formas societárias com projetos diferentes de futuro que, obrigatoriamente, devem interagir.

De uma forma geral, mesmo o mais arcaizante modelo fundamentalista, como a reacionária monarquia saudita e até mesmo o Taleban, não rejeita a modernidade, apenas deseja em maior ou menor grau a sua reconstrução segundo princípios baseados na escritura. Mesmo os fundamentalistas americanos com sua aversão por Darwin e o redivivo "Julgamento do macaco" são ardorosos defensores das liberdades individuais e do legado da Reforma e da liberdade individual. Mas esta relação com a modernidade vai muito além da simples utilização de equipamentos modernos para divulgar sua mensagem - ponto comumente abordado tanto pela Academia como pela mídia.

A crítica não é à razão em si, mas à razão instrumental que dissocia o conhecimento e a tecnologia de finalidades, por incrível que pareça, humanitárias. Chocam-se não com a Razão, mas justamente com a irracionalidade da Utopia consumista e individualista que tira o sentido das coisas não só porque erode os sistemas cognitivos de natureza religiosa, como perceberam os sociólogos da religião desde Wach, mas também porque é desprovida de um sentido universal em si.

A realidade, contudo, nem sempre é tão simples em especial por causa da enorme abstração que se faz ao chamar um conjunto tão amplo de movimentos sociais sobre o mesmo rótulo de ""Fundamentalismos"". O próprio "protótipo" do "Fundamentalismo" que é a Revolução Iraniana dificilmente poderia ser classificado estritamente como Fundamentalista, mesmo a sua limitação a "Fundamentalismo" Islâmico esclarece muito pouco porque não dá conta da especificidade xiíta - talvez como fruto do pouco conhecimento do Ocidente sobre o xiísmo, revelado entre outras coisas pelo sentido com o qual o termo "xiíta" foi incorporado na língua portuguesa como sinônimo de ortodoxo e radical.

Há por fim um aspecto metodológico em torno do tema extrema importância que a associação do Fundamentalismo com a política, distinção que em alguns momentos tem servido para separar fundamentalismo de Revivalismo. Embora útil ao se analisar os fenômenos relacionados às religiões ocidentais, em especial o protestantismo, esta distinção parece ser tornar enviesada ao lidar com o Islam que por definição é também um modelo de Estado e uma Ordem Econômica, temática por sinal muito frequente nos discursos de Khomeini. Quando ele tenta distinguir entre o clero "conservador" e o "progressista" ele o faz justamente em função da preocupação deles com a política.

 

 

Metodologia

O eixo central do trabalho é a pesquisa documental através da aplicação das técnicas de análise do discurso aos pronunciamentos feitos por Khomeini. Há um problema aqui por não se lidar diretamente com o material na língua original, o farsi, mas através de traduções para o Inglês, o francês e o Espanhol, portanto não se recorrendo ao que, a rigor, seria uma fonte primária. Em parte se pretende atenuar esta deficiência metodológica através de um conhecimento razoável da terminologia técnica da jurisprudência e teologia islâmica e pelo uso de diversas traduções cotejadas.

A base da pesquisa será a coletânea de discursos de Khomeini traduzidas para o inglês pelo Institute for te Compilation and Publication of the Works of Iman Khomeini, sediada em Teheran, que reúne os mais importantes discursos feitos por Khomeini de 62 a 78 e passa por ser uma tradução acurada para o inglês. Também é importante no contexto da pesquisa os livros nos quais ele expõe a doutrina do Valayat al-fiqh - o domínio do jurista - que serve de base e legitimação para suas reivindicações da constituição de um Estado islâmico no qual um grupo de jurisconsultos muçulmanos desempenham uma espécie de Poder Moderador. Ainda que de forma fragmentária, este texto de Khomeini está publicado em diversas línguas.

Como complemento a estes dois grandes grupos de documentos, o Testamento Político e Religioso de Khomeini, editado em diversas línguas inclusive em português, também fornece uma visão importante sobre o pensamento do líder iraniano na medida que é um texto destinado não só aos iranianos ou xiítas, nem mesmo apenas aos muçulmanos, mas pretende se dirigir a todas as nações "sob jugo imperialista" mais ou menos como uma grande conclamação a uma revolução mundial.

Paralelo a esta leitura sistemática de textos do próprio Khomeini pretende-se estudar textos de outros ideólogos da revolução Iraniana, em especial Ali Shariati e Murtada Mutahari analisando semelhanças e diferenças entre estas visões. Estas análises seriam também confrontadas com a cobertura da imprensa mundial sobre o tema desde os anos anteriores à Revolução até alguns anos após o seu início e, em certa medida, em relação aos acontecimentos recentes na medida que ajudem a elucidar alguns aspectos significativos para a pesquisa.

Também se pretende fazer uma grande revisão bibliográfica sobre o fundamentalismo islâmico e outros movimentos tanto fundamentalistas como revivalista que permitam que se faça uma análise comparativa que busque as semelhanças e diferenças entre a dinâmica do movimento no Irã e em outras sociedades. Para aprofundar esta discussão também se estudará alguns textos referentes à história recente do Irã e ao movimento de 1905.

 

 

Análise dos resultados e conclusões esperadas

A partir da análise dos textos descritos no capitulo anterior se pretende obter uma visão consistente de como a modernidade é tratada por Khomeini e uma demonstração aceitável de que este é um dos temas fundamentais de sua plataforma político-ideológica-religiosa. Espera-se também que os dados obtidos sejam suficientes e consistentes para demonstrar através tanto da importância no contexto do discurso como pela quantidade para demonstrar que Não se pretende uma destruição da ordem moderna, mas sim uma releitura islâmica desta modernidade.

Pretende-se também demonstrar como este tema evolui ao longo dos anos no discurso de Khomeini desde o momento no qual ela começa a publicamente enunciar sua oposição ao xá até os primeiros anos posteriores à Revolução. Espera-se ser capaz de demonstrar que houve uma alteração significativa do enfoque inicial, no qual Khomeini ainda não é uma liderança conhecida nem um clérigo de grande importância até os momentos que antecedem a revolução no qual seu discurso deve ser capaz de unificar uma grande frente republicana que inclui lideranças laicas e de esquerda e, posteriormente, uma guinada mais clerical que se dá após de um lado a consolidação de seu poder e de outro à mobilização dos setores mais "conservadores" da sociedade.

Em relação tanto a Shariati quanto a Murtada Mutahari - ambos falecidos no início do processo revolucionário - espera-se que os dados sejam consistentes para demonstrar que para ambos - embora representando visões muito diferentes da revolução - a releitura do Ocidente é muito importante. Tanto um como outro, como demonstra um pesquisa preliminar em seus textos, dão grande importância ao conhecimento produzido no ocidente e não raro citam autores tipicamente ocidentais como Marx e Shaw.

Da comparação com a história, estrutura, estratégias e princípios norteadores com outros movimentos islâmicos espera-se demonstrar o caráter aberrante da Revolução Iraniana em relação a todos os demais movimentos, em especial outros movimentos islâmicos. Além disto a inexistência de qualquer laço entre eles, e nem mesmo de simpatia ou identidade entre eles, também ajudaria a demonstrar que a hipótese comumente utilizada da Revolução Iraniana como protótipo da revolução Fundamentalista é implausível. Espera-se também demonstrar que esta diferenciação não se deve, como afirma Lawrence, apenas pelo fato dela ter atingido o poder e portanto "fugido" do padrão dos outros movimentos que são tipicamente de oposição, mas sim a um fenômeno bastante distinto.

Da mesma forma, espera-se que parte deste processo possa ser explicado pelo fato de no Irã a oposição laica ter subsistido ao Regime do xá enquanto nas outras ditaduras e "regimes de Bunker" do Oriente Médio a oposição religiosa - quase sempre fundamentalista - ter sido praticamente o único canal de oposição a estes regimes.

Por fim, pretende-se que os resultados sejam suficientes para contestar a hipótese central de Lawrence - ao menos no caso da revolução iraniana - segundo a qual os fundamentalistas são modernos mas não modernistas. Espera-se ser capaz de demonstrar que é a erupção do que ele chama de valores "modernistas" na sociedade iraniana que provocam a erupção de reações a este projeto de modernidade ocidental, mas que as respostas desenvolvidas por estas sociedades não são obrigatoriamente Não-modernas e muito menos anti-modernas, mas sim o esforço de construção de um outro modelo no qual não exista a identidade entre modernização e ocidentalização. Neste sentido espera-se que as conclusões do trabalho aproximem-se das conclusões de Huntington segundo as quais os valores da Civilização Ocidental tenderão a perder a sua pretensão a valores universais.

 

 

Cronograma

Estima-se um prazo de quatro meses para a transformação deste anteprojeto em um projeto definitivo. A maior parte deste tempo será utilizada para a leitura e sedimentação da bibliografia selecionada e para um exame inicial da base de dados selecionada de forma a aprimorar e verificar a viablidade das hipóteses iniciais e a consequente transformação delas em hipóteses mais elaboradas.

Durante este processo espera-se que seja desenvolvido um plano de prova das hipóteses mais elaborado e detalhado que, ainda que na forma de teste prévio, possa já ser aplicado a pelo menos uma parte dos dados disponíveis para verificar sua plausabilidade e consistência.

Nestes quatro meses, portanto espera-se os seguintes resultados concretos:

  1. Revisão bibliográfica e fichamento dos textos incluídos na bibliografia;
  2. Exame inicial da base de dados com definição de categorias mais precisas a serem investigadas;
  3. Seleção de fontes documentais e avaliação da sua confiabilidade, em especial quanto a jornais e revistas do período;
  4. Desenvolvimento de um plano de provas das hipóteses que avalie, pelo menos, os seguintes itens:
    1. A verificação do caráter aberrante da Revolução Iraniana através de categorias que permitam a comparação entre ela e outros movimentos fundamentalistas e revivalistas;
    2. A evolução de alguns temas nos discursos de Khomeini ao longo dos períodos e sua associação com outros eventos, em especial com o crescimento de sua popularidade;
    3. Os eixos de semelhança e diferença entre a visão de Khomeini e outros líderes revolucionários;
    4. distanciamento entre as palavras e ações de Khomeini, e entre suas ações e os fatos retratados pela mídia.
  5. A construção de um tipologia do fundamentalismo que forneça um modelo mais adequado que a de Lawrence.

 

 

Bibliografia

Textos de caráter Metodológico Geral:

Eco, Humberto - Como se faz uma tese - 15 ª Edição- Editora Perspectiva, São Paulo, 1999.

Gil, Antonio C. - Métodos e Técnicas de Pesquisa Social - 1ª Edição - Editora Atlas, São Paulo, 1987.

Goode, William J. e Hatt, Paul K. - Métodos em Pesquisa Social - 6ª Edição - Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1977

Mills, Wright. Do Artesanato Intelectual in A Imaginação Sociológica, 3ª Edição, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1972.

Rodrigues, José A - Modelo de Projeto - mimeo

 

 

Textos de caráter teórico sobre Análise do Discurso

Brandão, Helena Nagamine, Introdução à Análise do Discurso. 7ª ed. Campinas Ed. da Unicamp, 1998.

FOUCAULT, Michel. Arqueologia do Saber. Trad Luiz Felipe Baeta Neves.5ª ed, Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997.

MANGUENAU, Dominique. Novas tendências em Análise do Discurso. Trad. Solange Maria Leda Gallo, Maria da Glória de Deus Vieira de Moraes. 3ª ed. Campinas: Pontes e Editora da Unicamp, 1998.

PÊCHEUX, Michel. O Discurso: estrutura ou acontecimento. Trad. Eni P. Orlandi. 2ª ed. Campinas: Pontes, 1997

__________, Por uma Análise Automática do Discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux.. Org. F. Gadet e T. Hak. Trad. Bethania S. Marini… Š et ali . 3ª ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1997.

 

Textos relacionados a fundamentos teóricos da Sociologia da Religião

BOURDIEU, Pierre. A Economia das Trocas Simbólicas. Org. Sérgio Micelli. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1974.

Cuvillier, Armand. Sociologia das religiões in Sociologia da Cultura. 1ª Edição. Editora Globo/Edusp, Porto Alegre/São Paulo, 1975.

DURKHEIM, Émile. Sociologia. Org. José Albertino Rodrigues. Trad. Laura Rodrigues, 3º ed. São Paulo: Ática, 1984.

__________,As formas Elementares de Vida Religiosa. Trad. Joaquim Pereira Neto. São Paulo: Ed. Paulinas, 1898.

McGuire, Meredith B. Religion: The Social Context, 4ª Edição, Wadswoth Publishing Company, Belmont (CA), Estados Unidos, 1997.

WACH, Joachim. Sociologia da Religião. Trad Atílio Cancian. São Paulo: Paulinas, 1990.

WEBER, Max. Ensaios de Sociologia. 5ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.

________, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 5ª ed. São Paulo: Pioneira, 1987.

 

 

Outros textos relacionados à Religião:

Delumeau, Jean. Mil Anos de Felicidade. Terramar, Lisboa, 1997.

Eliade, Mircea. História das Crenças e das Idéias Religiosas. Zahar Editores, Rio de janeiro, 1984.

Garaudy, Roger. L'Islam Habite Notre Avenir, Collection Dialogue des Civilisations, Desclée de Breower, Paris, 1981.

JameS, William. Varieties of Religious Experience, Eletronic, On Line: ftp://uiarchive.cso.uiuc.edu/etext-96/varre10.zip

Nasr, Seyyed H., "O Mundo Islâmico, Tendências Atuais e Futuras", In Bartholo Jr., Roberto S. e Campos, Arminda E. (org), Islam, O credo é a Conduta, Imago/Iser, Rio de Janeiro, 1990.

______, "O Significado Espiritual de Jihad" in Bartholo Jr., Roberto S. e Campos, Arminda E. (org), Islam, O credo é a Conduta, Imago/Iser, Rio de Janeiro, 1990.

_____, "O Islam e o Encontro das Religiões",In: Bartholo Jr., Roberto S. e Campos, Arminda E. (org), Islam, O credo é a Conduta, Imago/Iser, Rio de Janeiro, 1990.

Abbas, Ali et ali, A Shi'ite Encyclopedia, Eletronic on line: www.al-islam.org

 

 

Outros textos relacionados ao Islam e Fundamentalismo:

Esposito, John. Islamic Threat - Myth or Reality? . Oxford University Press, 1992.

Hobsbawn, Eric. Era dos Extremos: O Breve Século XX (1914-1991), Companhia das Letras, São Paulo, 1999.

Huntington, Samuel P. O Choque de civilizações e a Recomposição da Ordem Mundial, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 1997.

Lawrence, Bruce B. Defenders of God: the Fundamentalist Revolt Against the Modern Age, 2ª Edição revisada, University of South Caroline Press, Columbia, 1995.

Marty, Martin E. e Appleby, R. Scott, The Glory and the Power: The Fundamentalist Challenge to the Modern World, Beacon Press, Boston, 1992.

Merad, Ali. El Islam Contemporáneo, Colleccion Popular, Fondo de Cultura Económica, México, 1988.

Roy, Olivier. Fundamentalists without a common cause in Le Monde Diplomatique, English edition, Outubro 1998. Eletronic. On Line: www.monde-diplomatique.fr.

Said, Edward, Orientalismo: O Oriente como Invenção do Ocidente, Companhia das Letras, São Paulo, 1990.

_____, Covering Islam: How the Media and the Experts Determine How We See the Rest of the World, Vintage Books Publication, 1997.

_____, Cultura e Imperialismo, Companhia das letras, São Paulo, 1992.

GRESH, Alain, "Un fondamentalisme sunnite en panne de projet politique" In Le Monde Diplomatique, Outubro, 1998, Eletronico On-line: http://www.monde-diplomatique.fr/1998/10/GRESH/11185.html. 10/12/99.

Roy, Olivier. "Un fondamentalisme sunnite en panne de projet politique". In Le Monde Diplomatique, Outubro, 1998. Eletrônico, on-line: http://www.monde-diplomatique.fr/1998/10/ROY/11134.html. 12/12/99.
 

 

Textos sobre o Irã:

Bromberger, Christian. "Troisième mi-temps pour le football iranien". In Le Monde Diplomatique, Abril 1998. Eletronic. On Line: http://www.monde-diplomatique.fr/1998/04/BROMBERGER/10280.html. 12/12/99.

ABDELKHAH, Fariba. Être moderne en Iran. La modernité paradoxale - Karthala, Paris, 1998.

Rouleau, Eric. "En Iran, islam contre islam". In Le Monde Diplomatique, Junho de 1999. Eletronico, On-line: http://www.monde-diplomatique.fr/1999/06/ROULEAU/12105.html. 12/12/99.
Gresh, Allain. L'enjeu iranien in Le Monde Diplomatique, Junho de 1999. Eletronico, On-line: http://www.monde-diplomatique.fr/1998/06/GRESH/10600.html. 12/12/99.
KIAN-THIEBAUT, Azadeh. "La révolution iranienne à l'heure des réformes". In Le Monde Diplomatique, Janeiro de 1998. Eletronico, On-line: http://www.monde-diplomatique.fr/1998/01/KIAN_THIEBAUT/9782.html . 12/12/99.
Rochette, Bruno. "Du chah aux ayatollahs" in Le Monde Diplomatique, Outubro de 1999. Eletronico, On-line: http://www.monde-diplomatique.fr/1999/10/ROCHETTE/12563.html . 12/12/99.

Gordon, Mathew S. Khomeini, Coleção Grandes Líderes, Editora Nova Cultural, Rio de Janeiro, 1987.

 

Fontes

Khomeini, Ruhollah. Kauthar: An Antology of the speechs of Iman Khomeini, The Institute for the Compilation and Publication of the Works of Iman Khomeini, introdução de Ahmed Khomeini, notas de Hamid Ansari.

Diversos textos disponíveis nos sites:

www.khomeini.com

www.khamenei.com

www.shariati.com

www.irna.com

Jornais e revistas.

 

 

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São Carlos, Segunda-feira, 27 de Março de 2000